29 abril 2016

Resenha: Mausoléu, de Duda Falcão, Argonautas Editora

Imbuído dos Poderes da Escrita das Trevas
Olá Cadavéricos Leitores!
Invoco as forças malévolas para que elas tomem posse de minha razão. E assim possesso pelas forças imperiosas de Lúcifer, eu consiga dar o tratamento estético às minhas palavras e dessa forma resenhar a portentosa obra intitulada Mausoléu, escrita por Duda Falcão e publicada pela Argonautas Editora da maneira mais excelsa que ela merece. Entrego meu corpo e minha alma! Que as forças demoníacas ajam em meu ser e conduzam minhas mãos para que elas teclem os vocábulos adequados que aclarem as mentes leitoras de meu blog, sem no entanto deixar de anuviar seus pensamentos. De posse dessa maldição, faço um ilustre convite a todos que estão presentes nessa sôfrega leitura.
O Anfitrião
Eis que o Espírito Maligno do Anfitrião vem ao meu encalço. Sinto turvar minha visão e incorporado de sua pérfida presença, meus lábios proferem sua invitação, enquanto minhas mãos transcrevem tudo que pronuncio na mais altiva voz: "Eu sou o Anfitrião! Fico muito contente que você tenha chegado até aqui para conhecer a arquitetura do my master! Nesta obra sepulcral sua ótica humana será ofuscada por visões grotescas. Folheie as próximas páginas... Abra a porta e entre na cripta dos insanos.. Durma na pedra fria do Mausóleu e tenha pesadelos eternos, he, he, he, he
No presente momento, as almas leitoras adentram comigo no Mausoléu. Experimentamos a força sepulcral e tétrica dessas páginas com uma diagramação perfeita e detalhes artísticos impecáveis. Cumpre a mim, antes de dar prosseguimento a minha recensão, clarificar o significado e a origem do termo Mausoléu neste exórdio.
Mausoléu de Halicarnasso
Mausoléu é uma tumba grandiosa. A origem do nome deve-se a Mausolo, um sátrapa de Cária do Império Aquemênida do século IV a.C. O seu túmulo ficou conhecido como Mausoléu de Halicarnasso (moderna cidade turca de Bodrum) e era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Confesso que essa pesquisa com tantos nomes intrincados me causaram sentimentos fúnebres.
Nesse sentido, torna-se perceptível que o título Mausoléu traduz perfeitamente as características lutuosas que tanto trazem aprazimento aos fãs do terror. O título revela o caráter simbólico da obra. O livro Mausoléu, de Duda Falcão é a Tumba Grandiosa, pois os 36 contos contidos em suas páginas são funestos, mórbidos com uma força imperiosa que devasta a mente do leitor. 
Durante a nossa jornada dentro do Mausoléu, vocês verão imagens tétricas no corpo dessa postagem que revelam a aziaga arte da suprema obra da qual eu discorro. A exceção é a gravura que representa o Mausoléu de Halicarnasso e a foto do Duda Falcão.
Pulp Fiction
A imagem da capa nos lembra as pulp fictions do passado. Notarão que a obra não é apenas bonita por fora, mas a arte gráfica do interior é perfeita. Verão a contracapa e a lombada do livro. Notarão a possibilidade de fazer cinema de papel. Aliás, já fizeram cinema de papel? Não sabe o que é isso? Veja o que há de belo e assustador no interior da obra:

video

Sem delongar mais no preâmbulo de minha exibição, poderei partir para a próxima etapa da resenha. Começo afirmando que Mausoléu me trouxe uma incomensurável alegria, pois sou um grande apreciador dos livros de terror. São 336 páginas de horror com 36 contos que envolvem bruxas, zumbis, lobisomens, vampiros, fantasmas, alienígenas e monstros bizarros. Com o decorrer da leitura vai se tornando evidente a admiração do autor pelas obras de Edgar Allan Poe, de Mary Shelley e John Polidori. Num bate-papo através do inbox do Facebook, o escritor Duda Falcão declarou: "O Mausoléu tem uma pegada meio Poe/Lovecraft. O Pessoal tem gostado bastante, espero que você goste também." Respondendo a expectativa do autor, é claro que eu amei.
Detalhe capa e lombada
Apesar da brincadeira realizada na introdução da postagem, na qual faço uso de palavras difíceis visando dar um toque de terror, mas que no fundo sei que vocês riram, Duda Falcão trouxe um diferencial bem bacana em relação às obras de terror que tenho lido ultimamente. Percebo que os autores por mim conhecidos procuram se remeter ao uso de vocábulos difíceis que algumas vezes parecem ininteligíveis
Duda Falcão
Duda Falcão vai em sentido oposto sem fazer uso exagerado de uma linguagem rebuscada como costumo ver na maioria dos livros de terror. Há poucos termos dificultosos e não encontramos palavras estapafúrdias, entretanto sua narrativa bem articulada consegue transmitir a sensação de medo ao leitor. Em nenhum momento, necessitei de recorrer ao dicionário para compreender o sentido de alguma palavra, coisa que já me aconteceu em outros livros. Duda Falcão sabe explorar as palavras mais simples para construir contos apavorantes. Engana-se quem pensa que somente através de um vocabulário íngreme poderá criar um terror de dar calafrios. O livro é medonho, excitante, provocante, aterrorizante e bastante atrativo. Em pouco tempo, devorei suas 336 páginas. Quando comecei a ler a obra, ficou difícil largá-la, pausei apenas o necessário para fazer alguns lanchinhos ou beber água. Acabei por devorar meus alimentos rapidamente para logo saborear esse fenômeno literário. Creio que esse livro foi a leitura mais acelerada e prazerosa que realizei em minha vida. Gostei tanto do estilo do autor que anseio ter em mãos outros livros de sua autoria e deleitar-me com eles.
Conforme foi mencionado anteriormente, existem 36 contos de terror no livro. Não discursarei a respeito de todos. Vou fazer um breve relato dos meus dez contos prediletos. O fato de não resenhar conto por conto não importa. Você está dentro dos pesadelos de Duda Falcão que, "a partir de agora, vão também assombrar as noites dos valentes que se aventurarem em seus meandros". Mais uma vez, pronuncio uma invitação que está expressa na gravura abaixo:
Invitação aos Incautos
Você aceitou! Você escolheu! Contemplem os  pequeninos escólios realizados por mim! Apavorem-se!!!
- Mausoléu: O que pode acontecer, quando um homem a pedido de seu patrão sai em busca de uma mercadoria em Gramado e encontra um fantasma que lhe traz uma mórbida visão? A resposta é totalmente tétrica!
Contracapa de Arrepiar!!!
- Museu do Terror: Um pai, a contragosto, leva sua filha para conhecer o Museu do Terror. O que eles encontrarão? O que haverá de tão assustador no museu?
- Relíquia: Faz referência  ao conto chamado de "O gato preto", de Edgar Allan Poe. Não vou dizer mais nada!
- A pena do Corvo: Um homem compra a pena por um preço ridículo. O contrabandista garante que a relíquia pertencera ao renomado poeta. Ocorre um estranho processo. As palavras começam a se ordenar em frases prontas. A pena do corvo liberta as palavras mais precisas do escritor e as arranja de forma ordenada nas orações, nos parágrafos, no enredo e na trama. Por outro lado, é sorrateira, engana o infeliz que acredita escrever  por conta própria. A pena do corvo, ao mesmo tempo em que concede as virtudes das belas letras, também leva à degradação do humano. Descubra o final da história!
Detalhe Interno do Livro
- Sem Controle: É um dos mais curtos contos do livro. Alguém dorme em qualquer lugar, desde que esteja protegido do sol. Quem será ele?
- Desfile: Um desfile é promovido pelo Circo dos Horrores. Que elementos horripilantes encontramos nesse conto?
- O Escolhido: Alguém percorre por mais de meia hora, com seu automóvel, uma estrada embarrada até chegar em um lugar ermo. Localiza um casarão decrépito. Por se tratar de uma festa, não tem receio de entrar. Presenças frias deixam-no intranquilo. Uma porta se abre para a entrada de alguém alto e corpulento. Não veste máscaras, somente um capuz que pouco pode disfarçar os cornos retorcidos e pequenos despontados na testa. A figura hedionda aponta para o protagonista dessa história. O que está reservado para ele?
Trabalho Primoroso da Argonauta Editora
- Rito Necromante: Criar Zumbi:  Um grupo se reunia sempre. Unem-se por um mesmo objetivo. Para isso, necessitam conhecer o oculto. A partir de leituras profanas, fizeram certas descobertas. Não detalharei mais nada.
- Passagem: Dor. Agonia. Escuridão. Diante dela, um barco. Por quê? Não irei contar!
- O Serviço: Alguém acorda em um lugar quente. Bonecos derretem no calor quase vulcânico. O desenrolar da história é bem interessante.

Depois da leitura desse espetáculo literário, tornei-me um erotomaníaco em relação ao terror. Muitos me acompanharão´na Síndrome de Clérambault  ao lerem o livro.
UM DIA especial alegra qualquer pessoa.
Resenhar essa portentosa obra foi algo elucubrativo. A sensação que tive é bizarra. A pena do corvo veio até mim, cadavéricos leitores. Adquiri o artefato que é pior do que qualquer outro vício. Estou com medo, pois não consigo parar de escrever. Já faz horas que estou em frente à mesa, sem me alimentar ou pensar em fazer outra coisa. A pena do corvo não é somente uma simples pena. Ela pode ser meu celular, meu tablet ou notebook. Vocês também possuem alguma pena do corvo? Cadavéricos leitores, peço desculpas, mas pressinto que serei assassinado pela pena do corvo. Encontrar-nos-emos no Inferno. Até mais!
Adquira o seu exemplar, clicando aqui! Deixem seus comentários fúnebres para não serem atacados por alguma infausta criatura.
Dedicatória e autógrafo do Autor
Momento de Seriedade: Agradeço de todo meu coração ao Duda Falcão por ter-me convidado para resenhar um de seus filhotes. Ele não imagina o bem e a alegria que me causou. Amei a dedicatória presente no livro, cujo conteúdo será compartilhado agora com vocês:
Para o Amigo Leitor, Fernando Nery!
Palavras do Anfitrião:
"O Mausoléu sempre
aguarda pela próxima
Vítima!"
Um
Abraço Tentacular
Duda Falcão
2016

No Skoob, classifiquei a obra dentro do limite permitido que são Cinco Estrelas. Minha vontade era classificar com um número infinito.
Duda Falcão e Cadavéricos Leitores, muita força para vocês. Tchau, meus queridos! Irei tomar banho de água benta para exorcizar o mal invocado (risos).
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Lúgubres Beijos no Coração Medonho de vocês!!!

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